Rechaldeira

 
 
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De acordo com informação histórica, o seu primeiro nome terá sido Casal de Rechaldeira. O topónimo deriva do nome pessoal Rechaldo (Richaldo), ou seja, a antiga forma popular portuguesa do actual nome pessoal Ricardo. O Casal da Rechaldeira seria a propriedade de um povoador desse nome, provavelmente, pertencente à colónia dos francos (franceses) que no século XII aqui se fixaram com D. Alardo, capitão francês, a quem D. Afonso Henriques doou, em 1160, as terras que viriam a constituir o antigo concelho de Vila Verde dos Francos.

No séc. XVI, de acordo com o numeramento (recenseamento) de 1527, o casal de Rechaldeira, possuía 4 fogos (4 famílias). Em 1836, com a extinção do concelho de Vila Verde dos Francos, a Rechaldeira passou a pertencer ao concelho de Aldeia Galega da Merceana, por sua vez eliminado em 24 de Outubro de 1855, data em que a Rechaldeira se vê integrada no concelho de Alenquer.

Já no século XX, pelo decreto n.º 14:769, de 20 de Dezembro de 1927, as povoações de Rechaldeira, Avenal, Rodeio e Rabissaca, são desanexadas da freguesia de Vila Verde dos Francos, concelho de Alenquer, e integradas na freguesia de Vilar, concelho de Cadaval. Esta mudança de freguesia e concelho ficou a dever-se ao forte descontentamento popular gerado pela cobrança do imposto “ad valorem”, por parte das autoridades do concelho de Alenquer, imposto que era aplicado sobre as uvas produzidas pelos agricultores da freguesia de Vilar nas suas propriedades no concelho de Alenquer mas depois transportadas para as suas adegas no concelho de Cadaval. Os cobradores que angariavam dinheiro por Vila Verde eram Ernesto Pereira Germano e José Cuco. Cobravam por cada tina 2$50. O povo expulsou-os. As autoridades de Alenquer solicitaram a intervenção da G.N.R. para garantir a integridade física dos cobradores do referido imposto, o que exacerbou ainda mais os ânimos, tendo sido necessário pedir reforços, vindo uma força da G.N.R. acampar no Outeiro Mourisco. A “resistência” começou a organizar-se, com o Sr. António Martins a fabricar bombas de pólvora e o farmacêutico, Sr. António Ribeiro Duarte, a fabricar zagalotes de chumbo para as espingardas, com vista a um ataque surpresa ao acampamento da G.N.R. Todavia, este ataque nunca chegou a efectuar se, pois a G.N.R., entretanto, levantou o acampamento.

A freguesia de Vilar, defendida pelas autoridades camarárias do Cadaval, aproveitou este descontentamento popular para reivindicar a jurisdição sobre as referidas povoações, reivindicação que foi satisfeita, em 1927, como já foi dito.

A anexação gerou um conflito aceso entre ambas as freguesias que incluiu mesmo tiroteios e escaramuças, embora sem vítimas mortais. Um desses episódios colocou em risco a vida do Presidente da Câmara Municipal do Cadaval, da altura, o Sr. António Leal, dos seus acompanhantes e dos elementos da Junta de Freguesia e Regedor do Vilar que se viram cercados numa casa da Rabissaca por populares armados, de Vila Verde dos Francos. O Vilarense, conhecido por José da Vaca, conseguiu furar o cerco e veio pedir reforços ao Vilar. Tocou o sino a rebate e a população que andava na faina da apanha da azeitona, juntou-se armada de espingardas, forquilhas e varapaus e acorreu à Rabissaca para salvar os sitiados, conseguindo rechassar o ataque dos vilaverdenses.

A alteração dos seus limites constituiu um grande prejuízo para a freguesia de Vila Verde dos Francos, por significar a perda de cerca de metade da sua área territorial, mas as autoridades vilaverdenses não ficaram paradas e resolveram mover influências junto do Governo para reintegrar na sua freguesia as povoações perdidas.

Consta que a pedido da Sr.ª Rosa Dionísio, natural da Rabissaca, o General Amilcar Mota, se arvorou em defensor das pretensões das autoridades de Vila Verde dos Francos. Também as autoridades de Vilar tiveram na pessoa do Sr. Coronel Penteado Pinto que, à época passava férias no n.º 7, da Rua da Fonte, em Vilar, um defensor das suas posições.

Volvidos sete anos sobre a data da anexação, por decisão governamental ( Decreto-Lei n.º 23:611, de 28 de Fevereiro de 1934, que veio alterar o teor do decreto 14:769, de 20 de Dezembro de 1927), a contenda foi resolvida, tendo sido satisfeitas, em parte, as reivindicações das autoridades vilaverdenses. Os lugares de Rabissaca e Rodeio foram devolvidos à freguesia de Vila Verde dos Francos enquanto as povoações de Avenal e Rechaldeira permaneceram na freguesia de Vilar, onde se mantêm até hoje.



           
 

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